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sábado, 15 de janeiro de 2011

Módulo 1 - Origens e espaços da sociologia - iluminismo e positivismo

Charles-Louis de Secondato - o Barão de Montesquieu -, ao escrever sua mais famosa obra, O Espírito das Leis, mostrou não apenas ser possível identificar leis que ordenam a política e o Estado como também os costumes e hábitos sociais que condicionam a existência e o sucesso dessas leis

Assim, ao identificar relações causais que explicariam, ao menos parcialmente, a diversidade de regimes políticos existentes, Montesquieu abria a possibilidade de identificar o social como uma esfera específica da vida humana. Para ele, essa esfera era reida por processos e causas que não dependeriam, totalmente, do livre-arbítrio dos homens.

O espírito científico - inspirado no Iluminismo - esteve na raiz da produção de uma visão mais secularizada e reflexiva sobre as formas de vida dos homens. E foi exatamente essa autonomia do objetoque permitiu à sociologia se consolidar como um ramo especializado do saber, distinto da biologia e da psicologia.

Na medida em que ficava evidente a historicidade e a contingêngia das formas de vida dos homens tornava-se necessário construir argumentos específicos que dessem conta dess novo objeto. Assim, a sociologia foi impulsionada pela descoberta de um novo espaço da existência humana - a sociedade.

A sociedade que inquietava os primeiros sociólogos, em primeior lugar, era uma sociedade industrial, marcada por novas formas de produção material e pela intensa divisão do trabalho social entre os homens.

Foi esse um dos temas aos quais Augusto Comte se dedicou. Ele também foi um dos responsáveis pela consolidação da palavra sociologia no vocabulário intelectual de seu tempo. Sua notoriedade, ao longo do século XIX, foi conseguida graças a uma gigantesca obra em que apresenta sua perspectiva positivista.

Segundo Comte, a humanidade passaria por três estágios de conhecimento:
  1. 1-Sendo o principal intérprete do estágio positivo, Comte acreditava que a sociologia - ou a física social - estaria relacionada a uma hierarquia de ciências.
  2. A sociologia partilhava com outros ramos do conhecimento humano o mesmo espírito positivo que marcaria a modernidade industrial.
  3. A sociologia diferenciava-se de outros ramos do conhecimento humano pela singulariadade de seu objeto de estudo, que não poderia ser explicado por razões biológicas, psicológicas, etc.
  4. Assim, ao olharmos para a sociedade, deveríamos buscar as leis sociais que determinariam o curso de evolução da humanidade.
  5. Comte defendia a autonomia relativa do objeto sociológio, criando as bases para a definição de um universo específico para a atuação do cientísta social.
  6.  Essa perspectiva implicava deslocar o sujeito do centro da análise, já que os fenômenos do mundo só seriam compreendidos se não os encarássemos como resultados aleatórios da ação humana.
  • o teológico, em que os homens atribuiriam as causas dos fenômenos objetivos aos deuses;
  • o metafísico, em que os homens recorreriam a conceitos abstratos para entender o mundo;
  • o positivo - caracterizado pela organização racional do trabalho -, em que os homens aplicariam método científicos para compreender as causas dos fenômenos.

Além disso tudo, ele transmitiu uma visão grandiosa dos poderes da disciplina à imaginação sociológica.
Comte destacou a possibilidade de usarmos o conhecimento das leis da sociedade para organizá-la de forma técnica, na direção do progresso pacífico dos homens. Na versão comteana, a sociologia funciona como uma ciência de conhecimento e organização da sociedade industrial europeia.

Sociologia - Origens e espaços da sociologia

Fichamento do Curso de Sociologia que estou fazendo na GV
Segundo Wright Mills, a imaginação sociológica poderia ser aprendida e exercitada por qualquer pessoa educada que se mostrasse curiosa sobre as relações entre biografia e História.

A sociologia seria um forma de argumento público capaz de revelar as conexões entre transformações na vida cotidiana e processos mais amplos de mudança histórica.

A imaginação sociológica nos permite destacar:
  • a especificidade do vocabulário utilzado pela sociologia;
  • os distintos modelos de imaginação sociológica existente no Velho Continente;
  • as singularidades do pensamentos social no Brasil.
O Iluminismo é visto por muitos historiadores como um período de grande mudança intelectual que abriu as portas para uma reflexão sobre o mundo social.Até então, a vida cotidiana parecia regida por uma segurnaça ontológica, como se todas as dimensões da vida - trabalho, família e lazer - estivessem organicamente integradas e fossem explicadas por costumes, tradições e hábitos inquestionáveis. Até então a religião produzia uma visão global sobre o mundo e seus processos.Neste contexto, não se cncebia que as relações entre os homens pudessem ser destacadas como objeto de conhecimento científico.

Assim o que conhecemos hoje por iluminismo produziu uma significativa alteração na maneira de pensar.

Segundo Ernest Cassierer, a reflexão iluminista discernia, claramente, entre um sujeito pensanste e um mundo - o objeto - regido por mecanismo e processos objetivos, que deveriam ser conhecidos e traduzidos em hipóteses e leis. Embora seja impossível falar apenas de um iluminismo - já que existiriam distintas tradições intelectuais assoicadas ao termo - Cassier acredita que pode discernir certa atitutde mental comum. E é essa atitude que nos interessa para a história da sociologia.